Idealizadores da Barragem Retiro foram esquecidos em sua inauguração

Não é de se espantar que uma manobra politiqueira deixou de fora da inauguração da Barragem Retiro, em Cuité, Curimataú paraibano, os nomes dos seus verdadeiros idealizadores. No palanque tímido e falando para um público minúsculo, apareceram figuras que não contribuíram em nada com a obra e só pegaram carona no “bonde” que já estava andando.

Mas, mesmo que a mídia paga ou amarrada aos que não querem reconhecer o mérito de quem verdadeiramente é detentor de todo mérito, a gente lembra da luta que resultou na realização de um dos maiores sonhos do Curimataú e do Seridó. Obra essa, reconhecida como a redenção da região.

Muitos até lembram da luta da então deputada Gilma Germano, mas antes dela é preciso lembrar de outro nome que dedicou sua vida a esse sonho. Esquecido pela “política”, foi o ex-prefeito e agropecuarista Pedro Simões Pimenta que projetou, sonhou e começou a lutar pela então barragem do Japi, denominada assim por ficar encravada no leito do Rio Japi, bem na divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte.

Através de um Projeto de Lei (PL) do deputado estadual Buba Germano, a barragem por muitos chamada de Japi e por outros de Retiro, enfim recebeu um nome: Barragem Pedro Simões Pimenta. A homenagem foi justa àquele que um dia não mediu esforços para ver a obra servindo a população. Contudo, diferente da homenagem, não foi justo o que fizeram ao excluir seu nome da placa inaugural. A tão sonhada barragem foi eternizada em sua inauguração com o nome da comunidade onde foi construída: Barragem Retiro.

O nome de Pedro Simões Pimenta ficou apenas no imaginário do povo e no livro de Leis do Estado, onde consta essa e tantas outras justas homenagens.

Esquecido como sempre foi pelos políticos da cidade, coube a então deputada Gilma Germano, eleita representante da região na Assembleia Legislativa da Paraíba, tirar o projeto de uma gaveta, onde empoeirado esperava alguém para executá-lo e o levou ao então governador Ricardo Coutinho. Ao seu lado, o seu esposo, o então presidente da Federação das Associações dos Municípios da Paraíba (Famup), Buba Germano.

O ano era 2011. Os custos do projeto já estavam ultrapassados e um novo projeto deveria ser feito. O valor era muito alto para o Estado assumir a obra que, além do reservatório, também contemplava o sistema adutor.

Gilma não hesitou e, mais uma vez, junto com Buba foi a luta e, em Brasília, recebeu a notícia que esperava: o Governo Federal assumia metade da obra e o Governo do Estado assumia a outra metade. Há época, a mandatária da Nação era a presidente Dilma Roussef. Aqui na Paraíba, o responsável por tocar e fiscalizar a obra foi o então secretário da pasta responsável e atual governador da Paraíba, João Azevedo.

Foram anos de luta, projetos foram feitos e refeitos, adequações e aditivos foram realizados, algumas paralisações em virtude de sítios arqueológicos encontrados na bacia do Rio Japí, mas a obra foi concluída. Está lá, com um investimento em torno dos R$ 70 milhões e uma capacidade de armazenar cerca de 50 milhões de metros cúbicos de água.

O sonho virou realidade e foi inaugurado nesta sexta-feira (04). Uma solenidade de última hora reuniu alguns que pouco lutaram e mais pouco ainda sabiam da história de luta que existiu para que estivessem ali a tirar proveito do que não contribuíram para que saísse do papel.

Mas a história tá aí para lembrar de todos aqueles que de sol a sol correram atrás deste sonho. Porém, embora que sejam poucos, mas haverá quem, ao ver as águas da velha barragem do Japí jorrando nas torneiras, dará, mesmo que silencioso, um obrigado ao seu precursor Pedro Simões Pimenta, a grande benfeitora da obra, a deputada Gilma Germano, e aqueles que liberaram os recursos para que ela não ficasse apenas no papel, o governador Ricardo Coutinho e a presidente Dilma Roussef.

Por Flávio Fernandes

Placa inaugural da Barragem Pedro Simões Pimenta

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